Cidades feitas para mulheres são mais igualitárias. Saiba por quê

Os homens e mulheres transitam e convivem na cidade de forma diferente. De maneira geral, as mulheres transitam pelo espaço público com uma lógica específica, porque elas combinam funções de trabalho e de cuidado com a casa e filhos. Soma-se a isso, também, os assédio sofridos nas ruas, que também impactam as escolhas das mulheres sobre como e onde circular no espaço urbano.

Isso tudo resulta em necessidades diferentes de acessibilidade nas vias, iluminação, transporte público e até zoneamento urbano. Na maior parte das vezes, no entanto, o planejamento das cidades não leva esse aspecto em consideração. De acordo com um estudo da Universidade de Cornell (EUA), conduzido em 2014, planos de urbanização para cidades geralmente não contemplam as necessidades das mulheres e não oferecem soluções para os problemas específicos enfrentados por elas no uso do espaço urbano. Além disso, arquitetos defendem que um planejamento urbano que leve em conta necessidades de transporte e segurança para mulheres acaba tornando a cidade mais segura e acessível para todos os grupos de pessoas. Isso vale mais ainda com o aumento da divisão de tarefas domésticas entre homens e mulheres.

Em 1999, a cidade de Viena, na Áustria, perguntou a seus moradores como eles usavam o transporte público. O resultado mostrou que os trajetos percorridos pelas mulheres eram muito mais variados e incluíam mais desvios para levar e buscar os filhos na escola e fazer compras. Elas usavam mais transporte público e caminhavam mais do que os homens. Outra observação de política de igualdade do uso de espaço urbano da administração de Viena foi que, depois dos 9 anos de idade, o número de meninas usando os parques da cidade se reduzia drasticamente, enquanto o número de meninos permanecia constante. A conclusão foi que as meninas se impunham menos quando surgia uma disputa por espaço no parque – por isso, em uma discussão sobre quem usaria uma quadra, por exemplo, os meninos tinham mais chance de ganhar. Com essas questões em mente, a administração local tomou decisões de acessibilidade, segurança e planejamento para facilitar o trânsito e a permanência de mulheres na cidade.

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