Fora Transurb – Ato mobiliza moradores de Santa Teresa em lançamento de campanha comunitária

Neste domingo, 06 de março, às 16h, moradores e AMAST se manifestam contra as condições e a qualidade do transporte coletivo no bairro, em ato de lançamento de abaixo-assinado para substituição da empresa de ônibus.

FAIXA-FORA-TRANSURB

Ato criado por moradores e AMAST – dia 06 de março

Sexta-feira de carnaval. Às 16h, o bloco das Carmelitas irá desfilar por Santa Teresa. O trânsito da Lapa está um caos. O ônibus da linha 014 está completamente abarrotado de moradores e mascarados. Os passageiros insistem para que o motorista não pare nos pontos. Ele para, mais pessoas sobem. E então, explica: “A empresa fala pra gente não parar. Passar por outras ruas quando estiver assim o trânsito. Mas hoje é sacanagem, é carnaval”, define. Na subida da Rua Joaquim Murtinho, algumas pessoas descem. Um jovem com pouca paciência, empurra um senhor que tomba fora do veículo. O motorista não percebe e toca a viagem. Entretanto, inicia-se uma discussão sobre a conduta do rapaz. Ele é repreendido por mulheres, jovens e adultas. Fica constrangido e fecha a cara. Pela janela traseira, já bem ao fundo, o velho é ajudado por pessoas que estavam no ponto e não subiram – o condutor não tinha aberto a porta da frente.  Antes de chegar ao Largo do Curvelo, o trânsito está fechado – a concentração do Carmelitas já ocupa o local, impedindo a passagem de qualquer veículo. A única alternativa é virar o ônibus e voltar – os passageiros têm que descer, mesmo aqueles que moram em locais a mais de dois quilômetros dali. Um homem pergunta ao motorista se ele já não sabia da paralização, se não podia ter ido por outra rota. O condutor levanta o semblante, fala algo difícil de ser entendido e conclui: “tenho que descer, por que tem mais gente precisando de subir”.

Na semana seguinte, no intervalo entre o carnaval e a realidade, no mesmo Largo do Curvelo, um ônibus da mesma linha anda chutado ignorando quem está fora e, principalmente, dentro. O motorista não mede esforços para ganhar o máximo de tempo em um mínimo espaço físico. Sua atenção e paciência ficam deslocadas e não estão ali, com as pessoas. Imprudente, passa pela contramão no Largo e para apenas já na Rua Joaquim Murtinho. Antes que todos desçam, ainda de porta aberta, arranca com o ônibus. Entretanto, uma senhora de 66 anos e sua neta ao colo não havia descido as escadas totalmente. Os dois se desequilibram e caem nos paralelepípedos. A avó protege o neto em seus braços, mas não evita bater a cabeça. O condutor ainda tenta fugir, mas guardas municipais que a tudo assistem, o detém.

essa frota nos afronta

Página “Já deu Transurb” foi criada especificamente para o problema enfrentado pelos moradores do bairro

Esses são apenas dois relatos que dizem muito sobre como a população de Santa Teresa vem sofrendo com a má qualidade e a falta de compromisso da Transurb, empresa de ônibus que atende o bairro com cerca de 50 mil moradores em suas diversas e diversificadas regiões. Na página do Facebook Já deu Transurb, criada pela AMAST (Associação de Moradores de Santa Teresa) e outros militantes e residentes de Santa Teresa, existem vários relatos de situações desconfortáveis para quem está dentro e também, fora dos veículos. A população se vê refém de um sistema que não só lhe presta mal o serviço que paga, como também ameaça a sua vida e integridade. O singular desse contexto é que a pauta permanente na mídia de massas é, justamente, o transporte de Santa Teresa na figura do bondinho – que não atende aos moradores pois, funciona entre 11h e 16h, como os bancos.

Bondinho não supre demanda de moradores - horário e percurso atendem a turistas

Bondinho não supre demanda de moradores – horário e percurso atendem a turistas

O segundo incidente foi postado em listas de e-mail e em um grupo de whatsapp em especial. Nele estavam “Mães de Santa Teresa”, uma rede de mulheres que troca informação sobre cuidados de saúde, serviços, logística e também, comportamento. Quando o caso foi informado, muitas sentiram na pele o perigo de ver seus filhos e parentes passando pela mesma situação ocorrida com avó e neto. Com a repercussão neste canal e também na reunião mensal da AMAST (sempre nas terceiras terças de cada mês, no Centro Cultural Laurinda Santos Lobo), foi criada a ideia de se fazer uma campanha para a substituição da empresa no bairro. “Não queremos revogar a concessão, mas sim, que o consórcio designe outra empresa. A Transurb já adquiriu um vício de má serviço que ameaça a integridade da população do bairro”, afirmou Jacques Schwarzstein, presidente da associação de moradores.

A mobilização de mães e a reunião de bairro conseguiram conectar as ações de moradores que, dispostos a participar, cada um contribuiu com o que pode, mesmo que apenas compartilhar o evento e convidar seus conhecidos nas redes sociais. Criaram o evento “Fora Transurb”, fizeram panfletos, distribuíram, afixaram faixas e também planejaram como seria a ação programada para o dia 6 de março, às 16h, no Largo dos Guimarães. O ato tem como intuito não deixar passar em branco o acidente com a avó e a sua neta e lançar a campanha Fora Transurb (com várias frentes de luta 1) Ação civil publica 2) Campanha de informação através do boletim “Bondinho” 3) Abaixo-assinado endossando a ação civil publica 4) Ato Público como forma de manifestação da população.

CLAUSULAS

Clique na imagem para baixar o “Bondinho”, jornal comunitário editado pela AMAST – Associação de Moradores de Santa Teresa

Além dos moradores e da AMAST, movimentos sociais e coletivos se organizam para subir a Santa ou mesmo, tomar as ruas do bairro, como o bloco Céu na Terra, já que Milena Sá, uma de suas integrantes, também está efetiva na organização do ato.

A cultura da empresa parece ser um dos fatores mais importantes para o desgosto de quem já sofreu com a redução de meios alternativos como sofre com as seguidas negativas de taxistas. As kombis, meio de transporte fundamental para a comunidade da Coroa, por exemplo, são perseguidas dia e noite pela SEOP. Há relatos de fortes constrangimentos com pessoas que há décadas serve a população de diversas áreas, dando apoio logístico para quem realmente mora em Santa Teresa. Como a topografia exige o transporte muitas vezes e não há alternativas, o ônibus se torna um suplício a mais no dia-a-dia. Carros com vidros quebrados, bancos soltos, clara falta de manutenção de partes da mecânica, além do comportamento radical e individualista que alguns profissionais acabam tendo nas viagens, ofendendo a harmonia coletiva de forma surpreendente e por vezes, revoltante. Todos defendem que a pressão exercida sobre os motoristas os obriga a agir de forma equivocada no trato social com a comunidade – há anos acostumada com os condutores dos bondes, e com pouquíssima responsabilidade social sobre a ação que executa. São vidas e bens que estão sendo atacados por falta de competência administrativa da empresa e não daqueles que são subordinado a viagens recordes, a prêmios por número de passageiros, a pouca valorização e mais: há um relato que diz que ir trabalhar em Santa Teresa significa que ou o motorista está em uma espécie de geladeira ou é novato! Se o trabalhador fez algo que irritou seus superiores, de qualquer natureza, pode ser mandado para o inferno dos motoristas, o amado e querido bairro centenário.

E não foi por falta de tentativas e reclamações. Reuniões foram feitas com a secretaria municipal de transporte, mas em termos de ganhos, pouco foi efetivado. Vários boletins de ocorrência foram criados na 7ª DP.

Em cerca de quatro anos, uma centena de feridos e um óbito. Para Schwarzstein existem três tipos de violências praticadas contra a população de Santa Teresa: 1) A violência praticada pela empresa: veículos ruins; falta de treinamento e assédio aos trabalhadores; falta de informações e regularidade nas linhas; falta de responsabilização e autocrítica; tudo isso culminando em danos físicos, materiais e morais aos moradores. 2) A violência praticada por alguns motoristas: não têm treinamento nem técnico nem de comportamento comunitário; sofrem cotidiana especulação sobre suas condições de trabalho; são assediados e pressionados a cumprir metas de horário e de passageiros; disputam a população, criando competição entre a própria frota; dirigem agressivamente e a empresa não lhes cobra um melhor comportamento. 3) A violência praticada pelo estado: falta de fiscalização no cumprimento dos contratos e atenção às denúncias da comunidade.

Além disso, o contrato de concessão criado pela Prefeitura do Rio não prevê a revogação do serviço, mesmo que este cause transtornos à população. Ou seja, um ação administrativa realizada em favor da empresa e não daqueles que utilizam e pagam por esse serviço público!

Fora TRANSURB!

DOMINGO, 06 DE MARÇO, 16H | LARGO DOS GUIMARÃES

Evento: https://www.facebook.com/events/577109155798726/

Se Santa Fosse Nossa

Se Santa Fosse Nossa

Moradores e movimentos sociais se reúnem no Se Santa Fosse Nossa, evento ocorrido em agosto de 2015 para a discussão das questões que mobilizam o bairro.

Em agosto de 2015, o Se a Cidade Fosse Nossa realizou evento no bairro para o diagnóstico e demandas de moradores, coletivos e movimentos sociais da região. No encontro, os participantes apontaram a mobilidade como um dos principais entraves, já apontando as questões que agora, retornam à pauta a partir da constante mobilização em torno dos transporte por parte da AMAST e também, pela sensibilização criada nas redes de moradores do bairro. O conjunto percebeu que a reação e participação popular senão necessária, é providencial para os afastar da ameaça cotidiana como atualmente acontece nas ruas do bairro histórico.

Santa Teresa trata-se de um bairro histórico e um dos símbolos da cidade, mas ao mesmo tempo guarda uma série de contradições e conflitos entre seus moradores e a gestão pública. São problemas em sua maioria relacionados ao caráter comercial/turístico que é incentivado pelo poder público, em contraposição a um olhar para aqueles que moram e trabalham no território. Além disso, vemos um conflito sócio-político em um bairro caracterizado como de classe média, mas que na realidade é composto por favelas cujos moradores não se identificam com Santa Teresa, mas com identidades próprias, como Prazeres, Fallet, Fogueteiro e outros.
> Serviços básicos para os moradores: 

  • Os moradores identificam como um dos principais problemas do bairro a ausência de serviços básicos para a população como: padaria; lotérica, onde os moradores pagavam suas contas; farmácias; entre outros. É necessário pensar em formas de se incentivar a instalação destes serviços no bairro

> Mobilidade: 

  • Ônibus devem circular de madrugada e aos domingos
  • Acabar com a dupla-função motorista-cobrador
  • O bonde deve ser público, popular e voltado para os moradores! Os moradores precisam ter voz na definição do funcionamento do bonde, com relação a horários, preços etc. Pelas notícias que circulam na imprensa, a A AMAST (Associação de Moradores de Santa Teresa) estima que apenas 5 % da população da região será beneficiada pelo Bondinho na configuração atual.
  • O bonde deve seguir até o Silvestre beneficiando o maior número de moradores.

> Cultura

  • Os moradores e aqueles que participam ou promovem eventos culturais no bairro devem desenvolver normas de convivência de modo a garantir o acesso à cultura nos espaços públicos e um ambiente saudável para a moradia.

> Segurança Pública

  • Melhoria da iluminação pública do bairro

Conheça o Se a Cidade Fosse Nossa

E se a cidade fosse nossa?

Essa é a pergunta que nos une em movimento na luta por uma cidade de direitos, em que a promoção da cidadania seja o princípio de todas as políticas públicas, e as pessoas possam decidir sobre os assuntos que impactam em suas vidas, como Saúde, Moradia, Educação, Transporte e Segurança. Queremos um Rio de direitos, mais humano, em que a vida esteja acima do lucro.

É deste sentimento que o PSOL Carioca lança o movimento “Se a Cidade Fosse Nossa”, aberto a todas e todos que desejam se organizar em torno deste ideal. Nosso objetivo é criar uma estratégia de mobilização popular para superar o atual modelo de cidade, baseado na falta de transparência pública, na desigualdade social, na destruição ambiental, no patrimonialismo, no racismo, no machismo, na homofobia e no fundamentalismo religioso.

Nossa proposta é construir uma rede de ações, ampla e transversal às políticas setoriais, para promover a justiça socioambiental, a participação popular e defender as liberdades daqueles que são oprimidos em função de sua classe, gênero, raça, sexualidade, religião, idade, cultura e corpo. Trata-se de um trabalho em aberto e em permanente produção.

Vamos organizar um ciclo de seminários temáticos e encontros de bairro que, aliado a uma plataforma virtual, nos permita elaborar um projeto alternativo junto com você. Acreditamos, assim, que outra cidade é possível!

Defendemos o fortalecimento da democracia em todos os espaços públicos, através da consolidação e ampliação de mecanismos de acesso à informação, de consulta popular e de controle social nos processos de tomada de decisão. Mais do que uma reforma institucional, almejamos a transformação do poder e da forma de exercê-lo.

Queremos ouvir as vozes das ruas e construir um novo modelo de governo com e para as pessoas. Para isso, não há dúvidas, o poder público não pode se comportar como um balcão de negócios, subordinando as políticas públicas aos interesses das grandes corporações. Ao contrário, deve funcionar como um instrumento de promoção do interesse público. Da arte ao lazer, da saúde à educação, da segurança à mobilidade, do esporte ao carnaval, nossa meta é trabalhar por uma cultura de direitos que nos permita superar o atual modo de produção, consumo e descarte e construir um novo futuro para o Rio de Janeiro.

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João Paulo de Oliveira é morador de Santa Teresa e jornalista