Encontro Se o Largo do Machado Fosse Nosso

A reunião do “Se o Largo do Machado Fosse Nosso” ocorreu no dia 27 abril,  a primeira reunião do projeto. Mobilizado pelo Núcleo do PSOL do Largo do Machado, o encontro reuniu diversos moradores e organizações que pensam as pautas e lutas da região.

A partir do que foi colocado pelos presentes, foram acumuladas propostas para uma gestão mais democrática e participativa da região do Largo do Machado, que envolve os bairros Cosme Velho, Laranjeiras, Flamengo, Glória e Catete.

Um dos temas abordados foi o Parque do Flamengo e o atual projeto de reformulação da Marina da Glória, levado a cabo pela nova concessionária, a BrMarinas.

Outro ponto tratado foi sobre a utilização da Praça São Salvador, que vem sendo cada vez mais procurada por pessoas em busca de entretenimento noturno e de espaços para manifestar suas artes, o que vem gerando conflitos entre moradores e usuários da praça, principalmente por conta do barulho e do lixo produzidos. Além disso, os ambulantes e artistas de rua são constantes alvos do Choque de Ordem.

Foi ainda debatido o conflito existente entre moradores do Guararapes, favela da região, e a empresa que tem a concessão do Bondinho do Corcovado por conta da utilização da água proveniente do rio Carioca. O rio Carioca, que já abasteceu a cidade do Rio de Janeiro e que tem grande valor histórico, hoje se encontra canalizado e integrado à rede de esgoto, num descaso socioambiental.

Por fim, foi debatida a construção da ciclovia de Cosme Velho e Laranjeiras, que vem sendo construída com verbas advindas de contrapartidas para a isenção fiscal da TK-CSA, siderúrgica que funciona em Santa Cruz e penaliza em muito a vida de pescadores, agricultores e moradores da região. Acreditamos que é fundamental investirmos em ciclovias e demais formas de transporte alternativos aos automotivos movidos a combustíveis fósseis, mas isso não pode se dar às custas da saúde e bem-estar de outros.

Se o Largo do Machado Fosse Nosso, decidiríamos sobre esses pontos:

– A manutenção do projeto original do Parque do Flamengo (incluindo a Marina da Glória), já tombado em esfera federal e municipal;

– A defesa de uma Marina da Glória pública, fortalecendo os esportes náuticos e permitindo a todas as pessoas o acesso às águas da Baía de Guanabara.

– A criação de um Conselho Gestor do Parque do Flamengo e da Marina da Glória, que inclua a sociedade civil e o poder público.

– Recuperar o Rio Carioca e investir em novas obras de saneamento ambiental.

– Garantir o acesso à água a todas as pessoas e depois para as empresas, envolvendo a sociedade civil no planejamento urbano

– Recuperar o patrimônio histórico hoje abandonado e a memória acerca da utilização das águas do Carioca na fundação da cidade.

– Trabalhar na perspectiva do saneamento ambiental, pensando integralmente o abastecimento de água, o tratamento do esgoto, a gestão do lixo e a manutenção dos nossos rios, lagoas e baías.

–  Manutenção das muretas e do projeto arquitetônico atual da Praça;

– Cadastramento e regulamentação dos vendedores ambulantes que atuam na Praça e substituição gradual da venda de bebidas em garrafas de vidro por latas de alumínio;

– Diálogo junto aos moradores quanto a necessidade de implantação de uma ATI no local, tendo em vista a existência do mesmo equipamento na Praça do Largo do Machado;

– Manutenção das atividades artísticas e culturais no Coreto da Praça, sob regulamentação de horário e controle acústico de ruídos, que esteja submetido à legislação municipal vigente;

– Poda das árvores do entorno da Praça e localizadas sobre o coreto;

– Permissão por parte dos bares e restaurantes locais do uso dos banheiros sem cobrança de tarifa;

– Pactuação com os comerciantes locais e ambulantes cadastrados junto à fiscalização municipal, de um horário determinado para o encerramento do comércio na região no período noturno;

– Fiscalização da feira existente aos domingos e regulamentação do uso do espaço público por barracas e demais artigos.

– Criação de Conselhos nesta e demais praças da cidade em que exista mobilização social capaz de debater e pensar junto em ações e soluções para tornar a rua nossa!

– A destinação de verbas da Secretaria de Transportes para a construção de ciclovias na cidade

– A revisão dos contratos de concessão das empresas de ônibus

– Investimento em formas alternativas de transporte público, coletivo e de massas, socioambientalmente responsável.

– Suspensão das isenções fiscais concedidas à TKCSA

– Revogação imediata da licença para operar da TKCSA e demais indústrias poluentes em nossa cidade!

– Fim da política irresponsável de compensação ambiental, que reproduz zonas privilegiadas e zonas de sacrifício em nossa cidade!