Quatro anos do acidente em Santa Teresa

Hoje, 30 de agosto, foi inaugurada a estação “Motorneiro Nelson”, uma homenagem ao comandante do bondinho que se acidentou em 27 de agosto de 2011 matando Nelson e mais 5 pessoas em função do descaso do estado do Rio de Janeiro com a conservação dos trilhos.

Homenagem justa e conseguida pela força e luta da AMAST – Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa. Ela se faz ao trabalhador negro que tanto deu alegria e um pouco mais de humanidade à vida de todos que circulavam sob sua conduta. Quando ocorreu o acidente, o governo do estado e seus asseclas tentaram “incriminar” Nelson como responsável pelo acidente. Entretanto, com a força e o carinho que o mesmo tinha com a comunidade de Santa, foi possível reverter esse quadro bizarro e o estado teve que se responsabilizar pela sua ausência e má condições de conservação e trabalho.

Atualmente, o percurso do bonde corresponde a menos de 20% de seu trajeto necessário. Todavia, os jornais e os turistas poderão fotografá-lo sobre os Arcos da Lapa, uma maneira simples de maquiar e desarticular a pressão social sobre os órgãos competentes. Por isso, tanto a AMAST em um trabalho incansável e cotidiano, quanto aqueles que amam e valorizam Santa devem continuar cobrando a solução das obras e do próprio transporte que apesar da promessa, ainda assim, pode muito bem ameaçar a vida dos moradores locais, condenando o serviço a ser utilizado por turistas e não pela comunidade.

Portanto, é mais do que necessário, dentro desse quadro, perguntar: E se a Cidade Fosse Nossa? Como seria a vida em Santa, como seria a comunidade para aqueles que por lá vivem?

 

Texto: João Oliveira