Encontro Viver na Cidade

Cerca de 200 pessoas participaram do encontro e debateram alternativas para construirmos uma cidade mais democrática

O seminário “Viver na cidade – do direito à moradia ao direito à cidade”, realizado pelo Se a Cidade Fosse Nossa, reuniu cerca de 200 pessoas no auditório da UERJ, na tarde do dia 1º de agosto. Após o papo com Mônica Francisco (Rede de Instituições do Borel), Guilherme Boulos (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto – MTST), Carlos Vainer (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional – UFRJ) e Isabel Cardoso (Faculdade de Serviço Social da UERJ), os participantes se reuniram em grupos de trabalho para discutir sobre os problemas da cidade e propor soluções. Os temas foram “Favela é cidade”, “Centros, subúrbios e periferias”, “Circular pela cidade”, “Memórias e identidades da cidade” e “Justiça socioambiental”.

Leia as propostas de moradia e participe.

Confira os principais momentos do seminário:

Monica Francisco 

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Para os negros e negras da favela, a cidade nunca foi nossa. Mas é importante não perder a dimensão do sonho. Senão, perdemos a capacidade de produzir utopias possíveis. A cidade foi transformada num jogo de banco imobiliário.”

Monica denunciou o processo de segregação da população da favela, expulsa dos centros urbanos devido à política de remoções e ao fortalecimento da especulação imobiliária. A retirada, forçada pelo poder público ou imposta pelo encarecimento dos aluguéis, tem enorme impacto na vida das famílias. O vínculo delas com o local onde vivem é essencial, porque ali construíram suas história, identidades e criaram laços sociais e culturais. Trata-se da própria constituição do indivíduo e do sentido da vida comunitária.  “Nós somos o lugar em que nós vivemos. Ele é de suma importância para a nossa sobrevivência”, resumiu.

Guilherme Boulos 

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“Nossa cidade é uma máquina de expulsar pobres. E essa máquina de produzir sem tetos é mais eficiente que as políticas de moradia. Não dá para falar sobre moradia sem discutir a lógica de cidade. Um exemplo disso é o Minha Casa, Minha Vida, lançado não como política habitacional, mas como forma de fortalecer o setor da construção civil.”

Boulos sugeriu iniciativas para superarmos a cidade-negócio e construirmos uma cidade de direitos. Ele defendeu a aplicação do IPTU progressivo sobre os imóveis desocupados e destinados à especulação imobiliária; criação de uma política de locação social, através do aluguel subsidiado pelo governo de imóveis vazios; estabelecimento de uma política efetiva de desapropriação, com base na previsão constitucional da função social da propriedade e a implementação de uma política de habitação que permita aos trabalhadores e trabalhadoras, com o auxílio técnico do poder público, erguer suas próprias casas.

Carlos Vainer 

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“O Minha Casa, Minha Vida fortalece o processo de segregação social, pois abandona os pobres em áreas que ficam a 40 ou 50 quilômetros das regiões que concentram 60% das oportunidades de emprego.”

Vainer defendeu que a cidade do Rio de Janeiro é tratada pelo poder público e pelos empresários da construção civil como um ativo financeiro, não como um espaço constituído pela coletividade onde as pessoas vivem. Ele citou a privatização do Porto, batizado pela prefeitura de “Porto Maravilha”, onde a gestão de uma área de 5 milhões de metros quadrados, formada por 80% de terrenos públicos e maior do que o bairro de Copacabana, foi entregue a um consórcio de empresas formado pela OAS, Carioca Engenharia e Odebrecht. Na cidade-negócio, as políticas públicas não são planejadas para beneficiar a maioria da população, mas para atender aos interesses daqueles que lucram com ela.

Isabel Cardoso

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“A vida urbana pulsa nas periferias e favelas das nossas cidades, nas partes invisibilizadas pelos pelo poder público. Pensar a cidade é práxis. Não pode ser pensamento sem ação, força criadora. Pensar a cidade nos exige romper com a fragmentação das relações sociais que nos colocam não como criadores, mas como receptáculo. Precisamos retomar o sentida da cidade como obra humana.”

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