Ermínia Maricato: o transporte coletivo é prioridade absoluta

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E se a Cidade fosse nossa? A arquiteta e urbanista Ermínia Maricato dá o seu depoimento! Confere aí!

“Se a cidade fosse nossa, a função social da propriedade, prevista na Constituição Brasileira, no Estatuto da Cidade e nos Planos Diretores, não seria ignorada pelo Judiciário brasileiro que defende mais a propriedade privada do que o direito à moradia.

Se a cidade fosse nossa, elaboraríamos um mapa com os pontos socialmente mais vulneráveis e esse mapa serviria para direcionar os investimentos públicos e os esforços de manutenção urbana.

Se a cidade fosse nossa, não haveria financiamento empresarial de campanha. Não haveria vereador vendendo seu voto, prefeitos e secretários priorizando investimentos em função do mercado imobiliário.

Se a cidade fosse nossa, o transporte coletivo seria prioridade absoluta e os automóveis deveriam pagar mais para circular.

Se a cidade fosse nossa o analfabetismo urbanístico seria erradicado. Todos acompanhariam a aplicação do fundo público, a aplicação da legislação, o trabalho dos servidores públicos, o trabalho das empresas terceirizadas (coleta e disposição do lixo, transporte, manutenção de parques e jardins, iluminação pública, varrição das ruas, limpeza de córregos etc), o trabalho da Câmara Municipal, da Assembleia Legislativa (no que se refere a Regiões Metropolitanas) e Congresso Nacional.

Se a cidade fosse nossa a polícia cuidaria da segurança das pessoas protegendo os adolescentes negros e negras que precisariam ir aos eventos esportivos, culturais e artísticos em seus bairros ou no centro da cidade.

Enfim, se a cidade fosse nossa, a prioridade seria as atividades das crianças e adolescentes pobres que seriam os donos e as donas dessa cidade daqui a 10 anos.”